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História

ALMODÔVAR

Desde há 5 mil anos até aos dias de hoje, as terras de Almodôvar foram marcadas pela presença de múltiplos povos e episódios indissociáveis da História de Portugal. Com a ocupação desde a Pré-história, os vestígios mais relevantes pertencem ao fenómeno megalítico. No entanto, o fenómeno mais significativo deste território apareceu com a Idade do Bronze, prolongando-se até à Idade do Ferro, com a descoberta de diversas estelas. Deste último período, destaca-se a descoberta de um número significativo de estelas funerárias epigrafadas com Escrita do Sudoeste, a escrita mais antiga da Península Ibérica (século VIII a V a.C.). Estas peças podem ser contempladas numa visita mais aprofundada ao Museu da Escrita do Sudoeste.

 

Com a romanização da Península Ibérica, Almodôvar não escapou a este fenómeno. Pela sua localização geográfica preferencial nas ligações norte-sul e este-oeste, desde cedo os romanos se fixaram em Almodôvar, assinalando a sua presença através de diversos vestígios, como os castella, ao longo da Ribeira de Oeiras, da barragem romana (única de construção em terra batida preservada até hoje) e necrópole do Monte Novo do Castelinho, a mina de Brancanes, sem esquecer o destaque ao povoado de Mesas do Castelinho, onde se distinguem o traçado de ruas ortogonais e a construção de edifícios de elevado rigor urbanístico.

 

Escrita do Sudoeste

Do período medieval, época entre os séculos IV e VIII d.C., os vestígios designados ora paleocristãos ora visigóticos (associados ao território das antigas dioceses de Paca e Ossonoba) são escassos. Com a ocupação islâmica, proliferaram diversas alcarias ou cortes que ainda hoje nomeiam boa parte da toponímia local e que tem a sua raiz na palavra árabe de aldeia (al-diya). A vila de Almodôvar deve o seu nome e desenvolvimento a esta época, pois, apesar de aí poder ter havido uma ocupação da Idade do Ferro, foi erguida uma fortificação ou almudaûár (casa ou castelo redondo). Com o topónimo Cerca do Castelo, crê-se que, nas proximidades entre o cerro de Santa Rufina e o atual depósito de água, poderá ter existido uma fortificação com uma eventual cerca inferior de recolha de rebanhos.

 

Na primeira metade do século XIII, os exércitos dos reinos cristãos pela Ordem de Santiago tomaram posse do Garb (Algarve), tendo D. Afonso III chegado a terras algarvias por Almodôvar com a ajuda de almocreves moçárabes. O domínio cristão efetuou-se entre 1238, com a conquista de Mértola, e 1245, com a tomada de Marachique.

 

Em 17 de abril de 1285, o rei D. Dinis elevou a então denominada Póvoa de Almodôvar a concelho, por carta de foral, que em 1297 é doada à Ordem de Santiago, a quem, no final do século XIII, pertence todo o Baixo Alentejo, com exceção do concelho de Odemira. Este foi um esforço de recuperação do dinamismo populacional e económico, outrora proeminente em período muçulmano e duramente afetado pela prolongada guerra da reconquista.

 

O empenho no desenvolvimento deste território prosseguirá ao longo do século XIV, especialmente na sua segunda metade, quando as convulsões políticas, a peste e mesmo o devastador terramoto de 1356, haviam espalhado uma forte mortandade. As Inquirições Fernandinas de 1376 às vilas de Almodôvar e de Padrões dão-nos conta de uma sociedade na qual a agricultura se apresentava de subsistência, e onde o pastoreio assumia uma importante escala, tal como as atividades associadas à tecelagem, curtumes, apicultura, entre outras.

 

Ponte romana da Ribeira de Cobres

A afirmação do poder real face aos domínios locais é, em 1512, retomada com o novo foral de Almodôvar, no âmbito do processo nacional de reformas dos forais de D. Manuel I. Almodôvar tornou-se uma vila que vai paulatinamente crescendo e onde se destacou a construção do edifício dos Paços do Concelho, no século XVI, e em 1680 a fundação do Convento de Nossa Senhora da Conceição, pela Ordem Terceira de São Francisco. Aí presume-se que terá funcionado a primeira escola de Teologia do Baixo Alentejo, cuja parte da valiosa biblioteca ainda se encontra “por descobrir” no Arquivo Municipal.

 

Foram, no entanto, ímpetos económicos intervalados no período conturbado e marcante que assolou Almodôvar na primeira metade do século XIX: em primeiro lugar, as Invasões Francesas, e logo depois a Guerra Civil - entre 1832 e 1834 -  que opôs o partido constitucionalista de D. Maria II ao partido absolutista de D. Miguel I.

 

Com a vitória do Liberalismo dá-se, por fim, a extinção das ordens militares e religiosas, sendo que, para o Convento de Nossa Senhora da Conceição transitam, em 1859, juntamente com o Tribunal e a Conservatória, os Paços do Concelho, onde a sua anterior localização dá lugar à cadeia (hoje Museu Severo Portela)

 

NOSSA SENHORA DA GRAÇA DE PADRÕES

Foi sede do extinto concelho de Padrões, área esta distribuída pelas freguesia de Senhora da Graça de Padrões e Santa Bárbara de Padrões.

 

Integrou, até meados do século XIX, juntamente com a freguesia de Santa Bárbara de Padrões, o antigo concelho de Padrões, sendo depois integrada em Almodôvar.

 

Foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Almodôvar, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Almodôvar e Graça dos Padrões com sede em Almodôvar.



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